terça-feira, 6 de abril de 2010

O que realmente tem importância

A modernidade além de nos trazer maior conforto físico, tem servido por invigilância nossa a aumentar nossos problemas, criando necessidades que antes não tínhamos. Somos facilmente atingidos em nosso ego pelo bombardeamento de propagandas nos meios de comunicação que prometem-nos a felicidade ou vantagens se adquirirmos determinado produto, bem ou serviço.

Etiquetamos a felicidade e tarifamos a sua aquisição, condicionando-lhe a consecução a requisitos que normalmente estão fora de nós e longe do nosso controle. Tão acostumados a usar o controle remoto entregamos nossa vida e o comando dela a circunstâncias fora do nosso alcance, esquecendo-nos que cedo ou tarde, poderemos estar pagando um preço muito alto pela indolência cometida.

O que realmente precisamos para viver bem é muito pouco. O essencial pode nos fazer felizes se não quisermos ostentar ilusões, a vaidade, o orgulho e a ganância. Basta não darmos ouvidos à cobiça e não fazermos nosso coração virar escravo dos nossos olhos.

Nossa autoestima é muito mais importante que um objeto. O amor ao próximo, estar de bem conosco mesmos e com os entes queridos são fatores que estão sob os nossos auspícios. Ter um teto, o que vestir, o que se alimentar, um emprego digno, mesmo que humilde, instrução e acesso à saúde, até que sob a tutela pública, não são situações impossíveis de se conseguir, pelo contrário, são fáceis, contanto que nos esforcemos para tal. Mesmo que não tenhamos um meio de transporte, desde que tenhamos saúde suficiente, podemos caminhar ou até usar bicicleta ou condução pública.

O que não deveria ter importância e jamais ser motivo de ansiedade é o supérfluo, pois sabemos que apesar de podermos acumular as mais variadas posses, nada levaremos conosco quando nossos olhos físicos cerrarem-se para o mundo, por mais pretensiosos que sejam o nosso orgulho e a nossa vaidade.

Nossos bens terão destinatário nos herdeiros e se esses não se apresentarem o Estado fará a sua parte.

Quando exalarmos nosso último suspiro descobriremos que os únicos pertences que nos acompanharão serão o bem que tivermos feito, os sorrisos que sorrimos e o amor que tivermos espalhado e cultivado em nosso coração. O stress com que cotamos nossa ambição desenfreada dará a certeza de tempo perdido, na condição de miragem que nos ofuscou a chance de sermos felizes com o que tínhamos.

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