domingo, 19 de julho de 2009



Esmola: quando dar

A situação chegou a um ponto que desde há muito vejo se formar um outro subtipo de população "trabalhadora", altamente informal na nossa pátria tupiniquim. Refiro-me aos esmoleiros. Eles estão presentes nas ruas, nas imediações dos estabelecimentos bancários, nos semáforos, nas rodoviárias, nas estações do metrô, nas proximidades de hospitais, nas praças, perto das igrejas. A grande parte dos esmoleiros é composta de pessoas com idade economicamente ativa. A grande maioria é saudável e em condições físicas de trabalhar formalmente, com uma carteira. Mas sob a pecha da suscitação da pena e dó alheios vivem às expensas da soma das migalhas conseguidas na rotina das súplicas. O curioso é que esse povo está faturando bem. E o melhor, sem sofrer desconto de imposto de renda e INSS e outras contribuições públicas. Dia desses presenciei um guri, com um pouco mais de 13 anos de idade, "descarregando" aquilo que consistia em pouco mais de meia hora de "trabalho", tudo em moedas, em troca de cédulas. Tinha um pouco mais do que 10 reais. Eu estava almoçando. Pouco tempo depois voltou com mais moedas e as trocou por mais cédulas. Mais 10 reais. Nesse ritmo de faturamento, com certeza ele tira limpo, fora os almoços e lanches grátis que fatura tranquilamente 100 reais diários. E tudo isso às vistas limpas. E o que é feito? NADA! Parece que descobriu-se que viver à margem é muito mais fácil e lucrativo do que viver sobre a esteira da lei, com as suas obrigações em dia. Infelizmente, vivemos num país onde empanturramo-nos de leis que não servem para nada, onde fazemos que não vemos o que está ao nosso redor, e esperando pelo exemplo que teoricamente deveria vir de cima. Assim, chego à conclusão que não devemos dar esmola NUNCA, pois o brasileiro conseguiu industrializar o "produto" em larga escala.

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